ENTRE EM CONTATO

LOGO-OFICIAL.png

R. PADRE CHAGAS, 66, CONJUNTO 6, TÉRREO

MOINHOS DE VENTO — PORTO ALEGRE (RS)

contato@blackcorporation.com.br
WHATSAPP: (51) 99124-0715  |  TELEFONE: (51) 3023-4244

  • Agência Black Corporation

Kursk – Claustrofobicamente Admirável

Atualizado: Jan 16

Baseado em umas das maiores tragédias subaquáticas da história e dirigido pelo dinamarquês Thomas Vinterberg, Kursk – A Última Missão, da Paris Filmes, apresentado a mim pelo Espaço Z, narra a luta por sobrevivência de 23 tripulantes do submarino nuclear K-141, que sofreu duas explosões no Mar de Barents, no ano de 2000, bem como a dos seus familiares contra o governo. Com a protagonização de Léa Seydoux e Matthias Schoenaerts, a história é uma intensa viagem às emoções, à pressa e à necessidade de justiça.

Com a primeira e a última cena bem delimitadas pela sua simbologia, o tempo é o elemento fundamental e frequente na narrativa. O filme é um caminho não só para questionar a preciosidade desse bem intangível, mas também para perceber que quanto menos importância se dá a ele no que tange à morte ou à vida de alguém, mais perto da desumanização se chega.


Quanto vale uma vida? Para quem? Por quanto tempo? Esses são outros possíveis questionamentos feitos ao observar o descaso das autoridades, na trama, que, diante da situação da tripulação, optam por não aceitar, de imediato, ajuda britânica e norueguesa, com o intuito de tentar encobrir um vexame internacional caso viessem à tona os segredos militares que o envolviam, enganando, assim, os familiares das vítimas do incidente e deixando os minutos correrem soltos até tomarem, de fato, uma atitude. Minutos esses que representam eternidades ao passo que crescem e se transformam em dias.


Ainda sobre o conceito de eternidade, também passamos a ter nova visão sobre ela, que cabe dentro dos segundos de cenas torturantes, quando os personagens estão submersos e em expressão de desespero tentando se manter conscientes sem desmaiar pela falta de oxigênio ou, ainda, quando Mikhail (Matthias Schoenaerts), submarinhista que protagoniza a história, ressignifica o seu conceito ao escrever para a sua esposa Tanya (Léa Seydoux) o que sente em relação ao tempo, aquecendo a frialdade aquosa e sofrida de tantas cenas.


A moderação da trilha sonora, bem como a ênfase à respiração e aos sons dos corpos dos personagens e do ambiente, curiosamente não prejudicam, em nada, a meu ver, o ritmo do filme. Em contrapartida, ressaltam o aspecto orgânico das atuações e das cenas – cenas essas que, com grande pesar claustrofóbico, enfrentei. Portanto, prepare-se, caso sofra do mesmo mal que eu, pois uma obra tão minuciosa ao transmitir sentimentos e emoções é também muito eficaz em fazer você sofrer para assisti-la.


O longa, curiosamente, não aborda o presidente Putin no que eu chamaria de prova central de sua frieza e descaso, que, na realidade dos fatos, não interrompeu suas férias, às quais deu maior importância do que ao ocorrido, demorando dias até aceitar ajuda. Seria um ato proposital de desconsiderar a existência do presidente ao mesmo passo em que ele desconsiderou a de todos os marinheiros? Ou seria apenas uma forma de ficar em cima do muro sobre essa questão? Não tenho a resposta, mas vale a reflexão.


O filme é um trágico e magnífico retrato da vida, valendo todos os segundos da sua atenção, mas espero que não se decepcione se ele quebrar expectativas belas de como gostaríamos que a vida fosse. Ele é um lindo, duro e fiel retrato do amor, da falta dele e da existência. Um filme a que não se assiste; se enfrenta.


Por Kênia

30 visualizações
whatsapp-logo-1.png